quando era menina, de boca frouxa e riso alto, desconhecia essa pausa longa, esse falsete de entrar no tom e não ter ritmo. desconhecia o compasso e não me dava conta desse tempo calado entre as notas. e é nesse silêncio impalpável que se condensa a realidade, seca-se a retórica até que não seja nada além de artifício. difícil é esquecer que tudo que é embuste, afasia, verbo tosco, fala falha, desafino e incompreensão vem da palavra. a bendita, a mal dita, tanto faz, a raiz do problema é sempre a mesma, ela e eu no mesmo contexto e tema.
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