quem dera encontrasse o segredo suspenso, quase sem ar, o verbo perfeito desses que se rasga em esquinas passadas e mortas e ainda tão lembradas e revisitadas. nada que é cotidiano é tão forte quanto o inesperado e quem dera tivesse sucumbido ao beijo que me deu impune, se é que saímos impunes de qualquer coisa. quisera eu ter sobrevivido para além dele. não tenho a palavra perfeita e quem tem só fala uma vez, não fica lapidando a brutalidade de outras incrustadas no peito ou crucificando as que ficam engastalhadas na goela seca e inerte. assim, jamais esquecerei da voz de Manoel de Barros, ou da sua, que ouvi com atenção, naquele dia. desinventar não é mais fácil que inventar, o berço de um filho que não veio, as gotas da pia do banheiro ou o mofo que insistia no canto da sala de estar, mas sabemos que esquecer seria bem menos doído que lembrar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário